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segunda-feira, 23 de novembro de 2009

...

Não sei viver aqui
Não soube me encontrar
Em meio a tanto caos
Ouço murmúrios de todos os cantos
Vozes que provém de vidas violadas por mim
Noites maravilhosas passei
Observando os homens
Que viviam mortos em suas rotinas
Cada dia identificava um corpo novo,
Ou melhor, um velho defunto.
A cada dia identificava um novo morto
Pessoas que aderiam ao sistema
Aos formatos sociais
Esperando assim uma felicidade fictícia
Um mero sonho... Sonho idiota
Felicidade é momentâneo
É anestesia que toma o corpo por inteiro
E não se transfere
Apenas para um falso sorriso de canto de boca.
Pessoas domesticadas,
Eu as via todos os dias... Ali de frente a minha janela
E como uma praga, cada janela ia sendo tomada diariamente...
O viruz se alastrava rápido
Era eficaz.
Sem duvida tinham estudado bem
Uma forma de aprisionar os pensamentos deles
Certo dia decidido a entender o que ocorria
Decidi fazer o mesmo que eles
E passava noites inteiras em minha poltrona
Sem notar, perdi-me nas mesmas rotinas...
Esqueci minhas leituras e meu binóculo estava entregue as teias de aranha
Certo dia, deitado lembrei das tardes observando os outros...
Passei a mão em meu binóculo, e corri, procurei a primeira janela a minha frente e passei horas observando... Os maus e bons costumes alheios
Aqui em frente esta janela tudo acabou...
Vivo uma janela por dia...
E aqui imóvel, lembro-me de tardes perdidas,
Viagens janelas à dentro.
Farto de tantos rumos sem sentido
E sentidos mal direcionados
Fico inerte.
Passo a observar o mundo de uma janela qualquer...
Uma por dia.

terça-feira, 3 de novembro de 2009

Amazona.

Escondi-te de todos
Não é pecado...
Não existem pecados
Então nem peço desculpas pelo “delito”.
Estou sempre sem companhia
Embora esteja acompanhado.
Pensamentos se evaporam,
E voltam a cair no quintal onde plantei sua imagem.
Bem, desculpe se te fere...
Mas plantei sim,
Bem fundo plantei,
O mais profundo tesouro que já tive.
Prestes a germinar,
Guardado nalgum lugar
Onde não ouso lembrar
Pra não revelar aos lábios, e ouvidos imundos,
Que hão de secá-la
Assim como secam as mais belas arvores
Dos jardins floridos, onde todo dia é primavera.
E é você a única guardiã da chave deste jardim.
Peço-te, Guarde em segredo.
Só depende de você.