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segunda-feira, 14 de junho de 2010

O "maniaco" da padaria.

Comecei o dia mal
Rasguei o verbo com o dono da padaria
O pão de ontem estava ruim
Mandou-me comprar pão em outra padaria
Que não ia fazer pãozinho do jeitinho do “senhorzinho” aqui.
Vê se pode? Que audácia doutor.
Mas eu ainda volto lá hoje
A se volto
E aí não vai sobrar nem farinha naquele lugar
Escreve heim!

Voltei!
Num disse que ia?
Então fui!
O traste tava lá com aquela bunda quadrada
Sentada na mesma cadeirinha
Cê acredita que ele tinha separado o meu pão?
Taquei a sacola na cara dele!
E pedi outro pão
A policia chegou
E agora to aqui.

O que eu vou fazer quando sair daqui?
Jogar outro pão naquele safado
E sabe por que doutor?
O preço ta alto, ele aumentou ontem.
Já tem anos que venho agüentando calado
Ele aumentou, mas não melhorou a porcaria do pão.

Vai se acostumando doutor
Pretendo voltar mais vezes
Talvez o pão lá perto de casa melhore um dia
Se ele não melhorar taco outro pão nele
Eu paguei pelo pão!
O pão é meu e eu faço dele o que eu quiser!
Aí vem o senhor, me prende de novo.
Me solta de novo
Eu volto de novo na padaria.
E o senhor já sabe, num é?

terça-feira, 1 de junho de 2010

pra não dizer que não falei de suas flores... Para: Luciana Busatto

Um dia desses qualquer

Numa padaria dessas qualquer

Uma amiga sentiu uma vontade qualquer

De comprar um bombom qualquer

Eu não me esqueço do rosto

Não era um rosto qualquer

Saiu da padaria em um estado qualquer

De felicidade.

Na saída

Deparou-se com uma mulher

Uma pedinte qualquer

Que infelizmente se vê em qualquer cidade

A mulher pedia qualquer coisa para comer

Nós passamos por ela e seguimos.

Três passos

Não foram três passos comuns

Nem qualquer

Essa amiga parou

Respirou com uma dada angustia e disse:

“Por que esse mundo é tão ruim?”

Decidiu voltar

Deu o seu bombom

E saiu com um sorriso nada qualquer

Era uma mistura de angustia e alivio.

Eu fiquei mudo

Não sei o que dizer

Era tão nobre e admirável aquela atitude

Sorri constrangido e seguimos para o teatro.