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sábado, 10 de julho de 2010

Tic-Tac, Ka-boom!

O amor parece bomba relógio.
Enche-nos de expectativas.
A gente espera e nada acontece
Até que...
Ka-boom!
Tudo em volta voa,
Vira pó.
E o que fica é um espaço vazio,
Sem cor nem musica.
Mas uma coisa é certa.
Foi um barato.
O frio na barriga,
A espera por nada,
O som e as cores da explosão.
As alegrias vividas
Até o ultimo segundo
Até a ultima palavra dita.
O ultimo “tic-tac”.

Adeus João Judas Jose.

Acordou tarde.
A cama ficou desarrumada
Como sempre.
Dia diferente
Três horas e a mesma musica
No repeti.
Almoçou uma coxinha
No bar da esquina.
Apenas pensava
Nada dizia.
Dia após dia
Repassou em sua mente
Em poucas horas.
E poucas horas depois
Embarcou em um ônibus
E nada mais se sabe dele.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O "maniaco" da padaria.

Comecei o dia mal
Rasguei o verbo com o dono da padaria
O pão de ontem estava ruim
Mandou-me comprar pão em outra padaria
Que não ia fazer pãozinho do jeitinho do “senhorzinho” aqui.
Vê se pode? Que audácia doutor.
Mas eu ainda volto lá hoje
A se volto
E aí não vai sobrar nem farinha naquele lugar
Escreve heim!

Voltei!
Num disse que ia?
Então fui!
O traste tava lá com aquela bunda quadrada
Sentada na mesma cadeirinha
Cê acredita que ele tinha separado o meu pão?
Taquei a sacola na cara dele!
E pedi outro pão
A policia chegou
E agora to aqui.

O que eu vou fazer quando sair daqui?
Jogar outro pão naquele safado
E sabe por que doutor?
O preço ta alto, ele aumentou ontem.
Já tem anos que venho agüentando calado
Ele aumentou, mas não melhorou a porcaria do pão.

Vai se acostumando doutor
Pretendo voltar mais vezes
Talvez o pão lá perto de casa melhore um dia
Se ele não melhorar taco outro pão nele
Eu paguei pelo pão!
O pão é meu e eu faço dele o que eu quiser!
Aí vem o senhor, me prende de novo.
Me solta de novo
Eu volto de novo na padaria.
E o senhor já sabe, num é?

terça-feira, 1 de junho de 2010

pra não dizer que não falei de suas flores... Para: Luciana Busatto

Um dia desses qualquer

Numa padaria dessas qualquer

Uma amiga sentiu uma vontade qualquer

De comprar um bombom qualquer

Eu não me esqueço do rosto

Não era um rosto qualquer

Saiu da padaria em um estado qualquer

De felicidade.

Na saída

Deparou-se com uma mulher

Uma pedinte qualquer

Que infelizmente se vê em qualquer cidade

A mulher pedia qualquer coisa para comer

Nós passamos por ela e seguimos.

Três passos

Não foram três passos comuns

Nem qualquer

Essa amiga parou

Respirou com uma dada angustia e disse:

“Por que esse mundo é tão ruim?”

Decidiu voltar

Deu o seu bombom

E saiu com um sorriso nada qualquer

Era uma mistura de angustia e alivio.

Eu fiquei mudo

Não sei o que dizer

Era tão nobre e admirável aquela atitude

Sorri constrangido e seguimos para o teatro.

domingo, 30 de maio de 2010

Enfeite

Hoje pela manha Pablo correu até a sala, e contou para seu pai o sonho que teve noite passada:

Os anjos existem,
Ontem sonhei que via um em meu quarto

Mentira,
Anjos não existem!

Você não entende,
Eu vi, eu vi sim!

Eu acredito,
Você disse que estava sonhando, é normal.

Não,
Não é!

Entendo,
Vamos ter que te internar...

Por quê?
O que fiz de errado?

Você insiste,
Em dizer verdades.

Como?
Anjos existem?

Eu preferia que não
Mas sim!

Você já viu um?
Onde?

Já,
Aqui na minha frente tem um.

Pablo sorriu para seu pai e disse:

Mentiroso,
Anjos não existem!

E saiu pelo corredor da casa com seu carrinho voador

sexta-feira, 21 de maio de 2010

Estar e Ser

Hoje estou um alguém perdido
Por não aceitar o que encontrei
E ter visto que estou errado em ser correto
Que tudo até hoje
Não passava de valores preestabelecidos
Que a fuga era impossível
A não ser pelo caminha doloroso da reclusão
Ser incomum, fugir do “normal” estabelecido.
Assumir uma visão
(Que pra outros resulta em cegueira e anormalidade...).
Loucura.
“Por que as coisas são assim, e assim tem que ser!”.
E somos marcados como gado na fila do abatedouro.
E lançados ao pasto
Chegamos ao mundo assim...
Só é saudável quem chora após as primeiras palmadas
Desde cedo lagrimas de protesto
E quem não chora? Será doente de natureza?
Só por que mal chegou e fugiu do padrão?
Eu queria não ter chorado!
Pois minha lagrimas assumem o poder da opressão imposto
E não chorando?
Talvez não os desse o gostinho de dizer:
“É saudável, não vai dar problema!”
E nos lançam ao mundo assim...
Felizmente alguns “saudáveis”
Que choraram após palmadinhas.
Assim como o gado marcado
Pulam as cercas e fogem
Querem liberdade e ar puro
Uma pena:
Eles serem sempre casos isolados, e os outros aceitarem tudo.
Comendo sua grama seca e desnutrida.
Por que a melhor não vai estar no seu prato.
Não mesmo, sai caro demais,
E você que acostumou aceitar tudo:
“Vai comer o que tem, e sem reclamar, estamos entendidos?”
Repito, uma pena.
Do lado de cá da cerca também como o que tem
Mas posso pensar, e penso.
Não por que sou melhor
Mas me permito melhorar a todo o momento.
Mesmo sendo visto como louco.
Sei onde estou
E quem estou
Nesse momento.

sábado, 15 de maio de 2010

Sol de Maria.

Lá de trás vem clareando o dia
Devagar, devagar, devagar...
Um raio bate nos olhos de Maria
Ela vê o mar
Mais claro a cada minuto
Maria derrete o rosto
Desabotoa suave sorriso
Ele vem lentamente
Ela o espera
Para aquecê-la
Ele vem de onde não pode voltar...
E hoje é só para aquecer Maria
E abraçá-la com seus raios
Quentes e confortáveis.