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sábado, 17 de julho de 2010

Meu Poema.

Torço o pescoço
Sufoco o meu grito
Engulo poesia
Rebeldia que me resta
Nobreza maldita
Malfeita e executada
Execução de um triste
Peito solitário
Resta a forca
A corda pendurada esta
Olho durante dias
Dias se passaram
E nenhum durou
Até agora espero
Um sentido
Para dar fim
Dar cabo
De mim
Ou deste
Poema.

Despertar

Alegria se foi
Fechou-se
Numa espécie de nada
Que tudo consome
Outrora restavam lascas, frestas...
Por onde vazavam
Migalhas e pedaços
Sentimento extinto
Desperta agora
Solidão.

segunda-feira, 12 de julho de 2010

E se...

E se eu não quiser ser medico?
E se eu me atolasse nos livros,
E saísse pelo mundo,
Errante como um Quixote Junior.

E se eu disser não a essa repressão?
Essa imposição de sonhos alheios,
Que nada tem de mim,
E que não compartilho.

Adultos?
Vocês que impõe os seus sonhos,
Que de forma mesquinha planejam,
Esquematizam cada passo nosso.
E esquecem de perguntar o que queremos!

Um dia desses,
Atravesso a sala,
Pego o revolver na escrivaninha,
E atravesso o crânio com um projétil,
Libertador.

Talvez assim entendam,
Ou voltem para a cama mais cedo.
Afinal, devem recomeçar seus projetos opressivos.
Já que o último plano infalível de vida perfeita
Falhou, ou melhor, auto destruiu-se.
E vocês não tiveram culpa!

sábado, 10 de julho de 2010

Tic-Tac, Ka-boom!

O amor parece bomba relógio.
Enche-nos de expectativas.
A gente espera e nada acontece
Até que...
Ka-boom!
Tudo em volta voa,
Vira pó.
E o que fica é um espaço vazio,
Sem cor nem musica.
Mas uma coisa é certa.
Foi um barato.
O frio na barriga,
A espera por nada,
O som e as cores da explosão.
As alegrias vividas
Até o ultimo segundo
Até a ultima palavra dita.
O ultimo “tic-tac”.

Adeus João Judas Jose.

Acordou tarde.
A cama ficou desarrumada
Como sempre.
Dia diferente
Três horas e a mesma musica
No repeti.
Almoçou uma coxinha
No bar da esquina.
Apenas pensava
Nada dizia.
Dia após dia
Repassou em sua mente
Em poucas horas.
E poucas horas depois
Embarcou em um ônibus
E nada mais se sabe dele.

segunda-feira, 14 de junho de 2010

O "maniaco" da padaria.

Comecei o dia mal
Rasguei o verbo com o dono da padaria
O pão de ontem estava ruim
Mandou-me comprar pão em outra padaria
Que não ia fazer pãozinho do jeitinho do “senhorzinho” aqui.
Vê se pode? Que audácia doutor.
Mas eu ainda volto lá hoje
A se volto
E aí não vai sobrar nem farinha naquele lugar
Escreve heim!

Voltei!
Num disse que ia?
Então fui!
O traste tava lá com aquela bunda quadrada
Sentada na mesma cadeirinha
Cê acredita que ele tinha separado o meu pão?
Taquei a sacola na cara dele!
E pedi outro pão
A policia chegou
E agora to aqui.

O que eu vou fazer quando sair daqui?
Jogar outro pão naquele safado
E sabe por que doutor?
O preço ta alto, ele aumentou ontem.
Já tem anos que venho agüentando calado
Ele aumentou, mas não melhorou a porcaria do pão.

Vai se acostumando doutor
Pretendo voltar mais vezes
Talvez o pão lá perto de casa melhore um dia
Se ele não melhorar taco outro pão nele
Eu paguei pelo pão!
O pão é meu e eu faço dele o que eu quiser!
Aí vem o senhor, me prende de novo.
Me solta de novo
Eu volto de novo na padaria.
E o senhor já sabe, num é?

terça-feira, 1 de junho de 2010

pra não dizer que não falei de suas flores... Para: Luciana Busatto

Um dia desses qualquer

Numa padaria dessas qualquer

Uma amiga sentiu uma vontade qualquer

De comprar um bombom qualquer

Eu não me esqueço do rosto

Não era um rosto qualquer

Saiu da padaria em um estado qualquer

De felicidade.

Na saída

Deparou-se com uma mulher

Uma pedinte qualquer

Que infelizmente se vê em qualquer cidade

A mulher pedia qualquer coisa para comer

Nós passamos por ela e seguimos.

Três passos

Não foram três passos comuns

Nem qualquer

Essa amiga parou

Respirou com uma dada angustia e disse:

“Por que esse mundo é tão ruim?”

Decidiu voltar

Deu o seu bombom

E saiu com um sorriso nada qualquer

Era uma mistura de angustia e alivio.

Eu fiquei mudo

Não sei o que dizer

Era tão nobre e admirável aquela atitude

Sorri constrangido e seguimos para o teatro.