V
No dia seguinte Ulisses esperou Sofia em baixo de sua arvore, ela estava demorando a chegar, decidiu que desceria à cantina para ver se estava por ali, chegando à cantina percebeu que Sofia já estava na arvore, ela só tinha esperado ele descer, fizera aquilo para conseguir pegar o caderno de Ulisses, e conseguiu, mas quando abriu o caderno não conseguia passar da primeira pagina, era o desenho de sua casa, as cores e traços das janelas e portas, tudo estava perfeito. Sofia enfim descobriu o que de fato tinha no caderno, e que diferente de suas suspeitas, ele não rabiscava, Ulisses desenhava, e melhor do que qualquer pessoa que ela já tinha conhecido.
“Gostou?” perguntou Ulisses, e antes que Sofia tentasse responder “É seu!”.
“Posso ficar com esta?”
“Não.”
“Mas você disse que é meu!”
“Sim.”
“Então, por que não posso arrancar a folha?”
“O caderno...”
“O que tem?”
“É seu!”
Sofia demorou entender, não acreditava que o caderno que ela tanto quis ver agora lhe pertencia. Ao virar as paginas percebeu que ela estava em todos os outros desenhos, não soube o que dizer, lembrou do que Ulisses tinha dito dias antes, “então eu roubo a atenção dele?” pensou Sofia. Com um caderno Ulisses conquistou Sofia, sabemos que não foi o fato de ser um caderno, e sim o carinho a atenção. Dias depois Sofia o presenteou com um poema de sua autoria, era a primeira vez que escreviam algo para ele, ele decidiu fazer um desenho para o poema e mostrar a Sofia, que adorou a idéia, os dois fizeram um acordo, ela escreveria sempre para os seus desenhos e ele desenharia toda vez que ela escrevesse um poema, nem sempre funcionava, mas os dias iam passando e a amizade dos dois estava firmada.
Era ainda muito cedo quando Ulisses saiu de sua sala correu pelos corredores da escola ao encontro da sala de Sofia, ela já não estava, tinha ido para a arvore dos dois, sim agora a arvore pertencia aos dois, mas não por muito tempo, ela estava com um pequeno baú em mãos, tinha levado especialmente para Ulisses, ele não sabia, mas seria um dos últimos encontros deles embaixo daquela arvore.
Chegando à cantina Ulisses percebeu que Sofia já estava a sua espera, então ele correu feliz, por que segundos antes tivera pensado que ela não teria ido à escola aquele dia. Ofegante e sorridente, Ulisses começou o que seria o seu dialogo de adeus.
“Corri até sua sala e não a vi, pensei que não viria mais”
“Sim” Sofia respondeu de cabeça baixa.
“Como? Eu não escutei.”
“É pra você.” Entregando o baú a Ulisses.
“Obrigado! Ele é lindo” Não sabia o que tinha no baú, mas estava feliz por ter ganhado o presente.
“É! Eu preciso do seu CEP.”
“Por quê?”
“Eu pretendo escrever para você, de onde eu estiver...”.
“Mas você não me disse que ia se mudar. Acabou de chegar à cidade, não pode!” Ulisses ficou enfurecido com a idéia de perder a única amizade de fizera nos últimos anos dentro daquela escola triste, não que ele a achasse triste, mas é que nos últimos dias Sofia tivera completado a falta que ele sentia de um amigo.
“Bom, eu preciso ir agora. Dentro do baú, junto com os presentes tem o meu novo endereço, mande noticias e desenhos, eu prometo responder em poemas.” Sofia deu um beijo em seu rosto e partiu. Ulisses ainda ficou ali por algum tempo, recuperando-se abriu o baú e viu que dentro tinham pinceis de diversos tamanhos e dois estojos de tintas.
Passaram-se algumas semanas, Ulisses ainda não tivera mandado nenhum desenho para Sofia, estava preso em uma atmosfera de tristeza e melancolia, ele estava apaixonado por Sofia, decidiu então pintar, expor em uma tela todo o tormento e confusão de seus sentimentos. Ulisses terminou o quadro, era um casulo pendurado em um dos galhos da arvore que os dois ficavam. As folhas da arvore pareciam mais finas que o normal e tinham a cor púrpura, os galhos estavam curvos como uma mão atrofiada e seca, e no galho mais seco estava pendurado o casulo que era vermelho, ele achou maravilhoso e triste, era como se sentia de fato, então decidiu enviar para Sofia. Essa foi à única correspondência que ele enviou, e Sofia nunca respondeu a essa carta.
VI
Nove anos se passaram, Ulisses estava formado na escola de artes, ele tinha o respeito e atenção de todos os seus professores, era sem duvida o melhor pintor de madonas de toda a academia, ninguém entendia como ele conseguia expor aquela imagem a algo tão cruel, e sofrido, como corpos secos rachados ou crianças definhando em seu colo, realmente havia se tornado um artista excepcional, excêntrico e incompreendido por todos. Sofia se formou em jornalismo e decidiu voltar para a capital para tentar um emprego no jornal da cidade, tinha o objetivo de algum dia escrever crônicas, paixão que adquiriu durante o curso, ela adorava a precisão nos detalhes e as sátiras cortantes e secas que escorriam de sua mente para o papel, queria ter sua própria coluna, também gostaria de rever Ulisses e conversar sobre o seu único desenho e o porquê de não o ter respondido, era o seu principal motivo de estar na cidade.
Decidida a arrumar o emprego, começou imediatamente à entrega de currículos, passou o dia inteiro rodando a cidade, que por sinal havia mudado muito, parou em um café, onde viu ao olhar para o outro lado da rua, uma galeria de arte, a exposição do mês era as polemicas madonas de Ulisses, era o seu projeto de conclusão do curso, expor suas madonas e documentar as impressões do seu publico, que não compreendia a sua obra assim como seus professores. Sofia decidiu entrar, procurou por Ulisses, mas ele não estava, perguntou aos orientadores que lhe informaram que ele morava próximo a galeria e passava as tardes desenhando no mesmo lugar de sempre, no pátio de sua ultima escola, ela lembrou da escola e da arvore, então foi até lá, Ulisses estava observando o pátio quando viu uma moça com traços familiares, poderia ser Sofia? Pensou Ulisses, logo depois ouviu: “Ulisses? É você?”.
“Quem é você?” respondeu Ulisses.
“Sofia, eu estou na cidade e pra ficar, nós precisamos conversar!”
“Eu esperei por esse dia há anos”
“Já terminou?”
“Sim” Ulisses pegou o Quadro que estava pintando e o rasgou em pedaços.
“Por que fez isso?”
“Costume! Faço isso todos os dias”.
“Mas são lindos!” Diferente de suas madonas, os quadros jogados no chão traziam tranqüilidade, não tinha nada de agressivo.
“Vamos?” Ulisses perguntou docemente.
“Sim” Os dois saíram, foram a um bar, conversaram sobre suas experiências na universidade, sobre os projetos, sobre os anos que passaram. Sofia tirou de sua bolsa um envelope, e tirou de dentro dele o desenho de Ulisses “Desde quando desenha assim?” Perguntou Sofia.
“Você não entende, não é?”
“É muito cruel, me passa sofrimento, dor, embora o casulo pareça estar muito vivo em meio a tanto caos e dor”.
“Sim, é o caos, a dor, a paixão é assim, principalmente quando se esta só e não tem como estar próxima de quem se ama”.
“Antes eu também pensava que fossemos apenas amigos”
“E fomos!”
“Eu sei!”
“Descobrimos tarde demais”
“Eu não vou embora de novo!”
“Eu vou dessa vez, eu parto no domingo para a França.”
“Faltam tem três dias, ainda é quinta. Você tem alguém?”
“Não, ninguém! Eu vou para estudar, e não sei se volto”.
“Entendo, pelo jeito não ia dar certo mesmo”.
“É, uma pena”.
“Sim, uma pena”. Ulisses se levantou, deixou o endereço de sua casa, e saiu pela porta. Sofia correu atrás de Ulisses e pediu para eles darem a ultima volta juntos, tomarem um vinho, e quem sabe conversarem um pouco mais, embora o reencontro tivesse cara de despedida ela não queria ter essa referencia em sua memória, ela tentou o convencer de ficar, mas ele já estava de passagens compras. Eles deram algumas voltas pela cidade, ela conheceu os lugares onde Ulisses costumava passar o tempo, depois de algumas bebidas os dois decidiram ir até a casa de Ulisses, ele usava a casa como estúdio, muitas modelos iam até sua casa, ele tinha diversas pinturas delas, Sofia ficou com ciúme do privilegio das outras e decidiu pousar para Ulisses, e queria que ele ficasse com o quadro como prova de “amizade”, ele degustou cada curva de seu corpo, quando terminou a pintura Sofia pediu para ver, ela estava emocionada e ele muito feliz, pois sem duvida, não sentia tanto prazer pintando há muito tempo, os dois se abraçaram, ela ainda estava nua, naquela noite eles dormiram juntos.
Continua...
segunda-feira, 12 de abril de 2010
quarta-feira, 7 de abril de 2010
Continuação...
III
Estava tudo calculado, daquele dia não passava, Sofia passou a noite pensando milhões de formas de conseguir o caderno do garoto, pensou em pagar um menino mais velho para roubar o caderno, mas percebeu que se ele descobrisse não conseguiria o conhecer e teria problemas na escola nova.
O sinal estava prestes a tocar quando Sofia pediu para ir beber água, ao sair da sala deu de frente com Ulisses, que passou fingindo não ter a visto, Sofia saiu andando sem olhar para trás, passou em frente à porta do banheiro e seguiu rumo à cantina. Ficou sentado na cantina esperando o sinal tocar, aproveitou para estudar o caminho até o local que Ulisses ficava, era uma arvore velha de galhos finos e folhas pequenas. O sinal tocou, Ulisses ia fazer o trajeto de sempre, mas dessa vez parou na cantina e ficou encarando Sofia, ela ficou surpresa com aquilo, prendeu o ar, olhou para outro lado fingindo não ser com ela, que não entendia o porquê daquilo, será que ele tinha percebido? Pensou Sofia. Após alguns segundos Ulisses seguiu o seu trajeto, Sofia soltou o ar que tinha preso, recuperou o compasso da respiração e seguiu o plano traçado.
Foi para o pátio, que dava acesso à quadra de esportes. Atrás da quadra tinha uma escada, ela dava no pátio superior, que era a única área verde da escola, e onde ficava a arvore de Ulisses, ao terminar de subir percebeu que Ulisses estava cochilando, e com o caderno no colo, Sofia em pontas de pé tentou se aproximar, Ulisses se mexeu, Sofia correu e se escondeu atrás do caule da arvore, respirou fundo e pensou que tudo poderia estar perdido. Depois de alguns minutos ali atrás, esperando que Ulisses voltasse a dormir, tomou a iniciativa de conferir se já estava dormindo, ao espreitar pela lateral do caule viu Ulisses sentado de costas, tentou chegar mais perto, Ulisses sorriu e disse “eu não mordo! Percebi que não estava no lugar de sempre, presumi que iria demorar mais alguns dias para tomar a iniciativa”.
“Já tinha me notado?”
“Sofia, certo?”
“Como sabe?”
“Ulisses!”
“Quem é esse?”
“É o meu nome.”
“Você é fiscal?”
“De onde vem?”
“É ou não?”
“Senta! Eu não mordo, já disse.”
“Do centro! O que tem no caderno?”
“Imagens!”
“Posso?” Estende a mão em direção ao caderno.
“Não faça isso!”
“Por que não posso ver?”
“Você é uma estranha”
Sofia não tinha o que responder, afinal, Ulisses estava certo, no dia seguinte Sofia foi até Ulisses, ele guardou o caderno quando a viu, os dois ficaram conversando, mesmo sem se entender, afinal, Sofia só queria entender como ele sabia o nome dela e por que não podia ver o caderno.
“Não posso confiar em você” foi o que Ulisses disse, após se cansar das tentativas de Sofia, esta mais uma vez ficou sem ter o que dizer.
IV
Sofia saiu da escola feliz, pois já tinha criado o habito de conversar com Ulisses nos intervalos, era o primeiro entre dezenas de pessoas que queria conhecer, ainda faltavam às meninas de cabelos coloridos e os sem uniformes. Alguém chamou seu nome, era Ulisses, ele estivera ali esperando já há algum tempo, decidiu perguntar se poderiam ir conversando. Ela consentiu e eles seguiram em direção ao centro, pelo caminho iam admirando as construções antigas, ele era apaixonado pelo centro da cidade, ela não via graça, achava tudo muito velho.
Ulisses contou que quando crescesse seria um pintor famoso e teria uma casa no centro, “você pinta o que?” perguntou Sofia, “O que roubar a minha atenção”. Para ela tudo chamava a atenção de Ulisses, pois ele vivia observando as coisas, então voltou a pensar no caderno, afinal, já sabia quem era o garoto, faltava o conteúdo do caderno, e estava claro que Ulisses não tinha amigos, pelo menos não na escola.
“É aqui!” disse Sofia, eles estavam em frente a um casarão antigo, todo brando com exceção das portas e janelas que eram azul turquesa, “É aqui?” Ulisses disse sem desprender os olhos da casa, estava estático, ela sorriu, deu-lhe um beijo no rosto e entrou pelo portão, ele ainda ficou ali parado por alguns segundos.
Ulisses sempre foi uma pessoa um tanto excêntrica, vestia-se diferente do outros meninos, vivia isolado, era demasiado educado com as pessoas, e apaixonado por todo o tipo de imagem, não via diferença entre uma pintura de uma criança dormindo e uma fotografia de um campo de guerra devastado por bombas, sentia-se privilegiado quando podia ver algo que lhe roubasse a atenção, era o caso do lar de Sofia.
CONTINUA...
Estava tudo calculado, daquele dia não passava, Sofia passou a noite pensando milhões de formas de conseguir o caderno do garoto, pensou em pagar um menino mais velho para roubar o caderno, mas percebeu que se ele descobrisse não conseguiria o conhecer e teria problemas na escola nova.
O sinal estava prestes a tocar quando Sofia pediu para ir beber água, ao sair da sala deu de frente com Ulisses, que passou fingindo não ter a visto, Sofia saiu andando sem olhar para trás, passou em frente à porta do banheiro e seguiu rumo à cantina. Ficou sentado na cantina esperando o sinal tocar, aproveitou para estudar o caminho até o local que Ulisses ficava, era uma arvore velha de galhos finos e folhas pequenas. O sinal tocou, Ulisses ia fazer o trajeto de sempre, mas dessa vez parou na cantina e ficou encarando Sofia, ela ficou surpresa com aquilo, prendeu o ar, olhou para outro lado fingindo não ser com ela, que não entendia o porquê daquilo, será que ele tinha percebido? Pensou Sofia. Após alguns segundos Ulisses seguiu o seu trajeto, Sofia soltou o ar que tinha preso, recuperou o compasso da respiração e seguiu o plano traçado.
Foi para o pátio, que dava acesso à quadra de esportes. Atrás da quadra tinha uma escada, ela dava no pátio superior, que era a única área verde da escola, e onde ficava a arvore de Ulisses, ao terminar de subir percebeu que Ulisses estava cochilando, e com o caderno no colo, Sofia em pontas de pé tentou se aproximar, Ulisses se mexeu, Sofia correu e se escondeu atrás do caule da arvore, respirou fundo e pensou que tudo poderia estar perdido. Depois de alguns minutos ali atrás, esperando que Ulisses voltasse a dormir, tomou a iniciativa de conferir se já estava dormindo, ao espreitar pela lateral do caule viu Ulisses sentado de costas, tentou chegar mais perto, Ulisses sorriu e disse “eu não mordo! Percebi que não estava no lugar de sempre, presumi que iria demorar mais alguns dias para tomar a iniciativa”.
“Já tinha me notado?”
“Sofia, certo?”
“Como sabe?”
“Ulisses!”
“Quem é esse?”
“É o meu nome.”
“Você é fiscal?”
“De onde vem?”
“É ou não?”
“Senta! Eu não mordo, já disse.”
“Do centro! O que tem no caderno?”
“Imagens!”
“Posso?” Estende a mão em direção ao caderno.
“Não faça isso!”
“Por que não posso ver?”
“Você é uma estranha”
Sofia não tinha o que responder, afinal, Ulisses estava certo, no dia seguinte Sofia foi até Ulisses, ele guardou o caderno quando a viu, os dois ficaram conversando, mesmo sem se entender, afinal, Sofia só queria entender como ele sabia o nome dela e por que não podia ver o caderno.
“Não posso confiar em você” foi o que Ulisses disse, após se cansar das tentativas de Sofia, esta mais uma vez ficou sem ter o que dizer.
IV
Sofia saiu da escola feliz, pois já tinha criado o habito de conversar com Ulisses nos intervalos, era o primeiro entre dezenas de pessoas que queria conhecer, ainda faltavam às meninas de cabelos coloridos e os sem uniformes. Alguém chamou seu nome, era Ulisses, ele estivera ali esperando já há algum tempo, decidiu perguntar se poderiam ir conversando. Ela consentiu e eles seguiram em direção ao centro, pelo caminho iam admirando as construções antigas, ele era apaixonado pelo centro da cidade, ela não via graça, achava tudo muito velho.
Ulisses contou que quando crescesse seria um pintor famoso e teria uma casa no centro, “você pinta o que?” perguntou Sofia, “O que roubar a minha atenção”. Para ela tudo chamava a atenção de Ulisses, pois ele vivia observando as coisas, então voltou a pensar no caderno, afinal, já sabia quem era o garoto, faltava o conteúdo do caderno, e estava claro que Ulisses não tinha amigos, pelo menos não na escola.
“É aqui!” disse Sofia, eles estavam em frente a um casarão antigo, todo brando com exceção das portas e janelas que eram azul turquesa, “É aqui?” Ulisses disse sem desprender os olhos da casa, estava estático, ela sorriu, deu-lhe um beijo no rosto e entrou pelo portão, ele ainda ficou ali parado por alguns segundos.
Ulisses sempre foi uma pessoa um tanto excêntrica, vestia-se diferente do outros meninos, vivia isolado, era demasiado educado com as pessoas, e apaixonado por todo o tipo de imagem, não via diferença entre uma pintura de uma criança dormindo e uma fotografia de um campo de guerra devastado por bombas, sentia-se privilegiado quando podia ver algo que lhe roubasse a atenção, era o caso do lar de Sofia.
CONTINUA...
segunda-feira, 5 de abril de 2010
Des-en-cadeando.
I
Bom, essa estória começa numa tarde de sábado. Nosso protagonista, não é e nem nunca foi um “bom moço”. Pelo contrario, gosta de se aventurar, arriscar as coisas, tem convicção de que o errado seria parar e ver que se arrepende de não ter feito ou tentado, essa é a sua atual visão, mas nem sempre foi assim, houve um tempo em sua vida que esteve apático, talvez por isso hoje arrisque tudo sem medos vãos.
Ele estava em casa, era aproximadamente 14h45min, quando num impulso aparentemente mecânico, ele levanta de sua cama, corre para a janela da frente de seu quarto, e a abre. Antes de terminar o gesto de abrir, percebeu na rua algo de familiar entre as pessoas que passavam. Não demorou em perceber que se tratava da nossa segunda personagem. Seu nome? Sofia. Estava estático, anestesiado, seus olhos a seguiam por todo o percurso da rua, isso por que ela não é tão longa, tem aproximadamente trinta metros. Sofia procurou a janela do nosso personagem no metro vinte e nove, olhou para traz e antes de fazer a curva sorriu, mas com o cenho triste.
Ulisses não entendeu o porquê do ar triste, será que tinha feito algo errado? Ele apenas a observava nada demais, não encontrava respostas para as dezenas de coisas que se perguntou durante alguns segundos. Então sentiu um toque quente em seu ombro esquerdo, eram os lábios da nossa terceira personagem. Ele não se lembrava de ter alguém em seu quarto, nem da noite anterior. Horas depois talvez conseguisse resgatar alguns flash’s na memória – Volta pra cama – disse ela e continuando – É sábado e esta frio, vem!.
A resposta de sua pergunta ou para o cenho triste de Sofia, veio em forma de um beijo, mas a personagem três não se chama Judas, nem traiu ninguém, nessa estória não existiram traições, talvez haja desentendimentos, mas não traições, pelo menos até este momento.
II
Todo sábado pela manha Sofia se arrumava com as melhores roupas que tinha e ia passear no centro da cidade vizinha, o centro lhe trazia boas lembranças. Ela adquiriu esse costume com Ulisses, que adorava passear e observar a forma estranha de andar das pessoas, os calçados e a forma que estavam gastos, as formas que tomavam devido ao jeito que pisavam. Também observava os que não tinha calçados. Esses por que geralmente tinha uma relação um pouco diferente com o solo e com as outras pessoas, não por estar descalços, mas por não estar de acordo com o que estava estabelecido como “correto” entre os que andavam calçados, mas os descalços não ligavam e andavam tranquilamente por ali, livres da opressão dos sapatos apertados. Ulisses ao observar aquilo sentia vontade de lançar as sandálias ao espaço e sentir os pés nus, virgens a serem molestados pelo chão.
Sofia sempre o reprimira por isso, vinha de uma família de origem tradicional, estudou em colégio interno durante toda a infância, ausentando-se de aventuras, e de pequenas liberdades como a de andar descalça – Imagine se você pega um resfriado ou algum verme. O chão tem impurezas e as doenças entram pelos pés – dizia a Madre do internato. Sempre levava tudo muito a serio, devido às represálias e possíveis punições para as ações indevidas.
Aos 13 anos Sofia dava adeus para o internato e ia estudar em uma escola com meninos e meninas, estava feliz, imaginava que seria uma experiência maravilhosa. Nas primeiras semanas percebeu que apenas ela a alguns poucos alunos usavam os uniformes, também reparava a tinta no cabelo das outras meninas de sua idade e um garoto que ficava todos os dias no mesmo lugar observando os outros alunos andando pelos corredores, jogando bola ou até mesmo comendo. Seria ele um fiscal – se questionava – Não, ele é novo demais.
O garoto passava grande parte do intervalo no lugar de sempre. Sofia percebeu que ele tinha um caderno e que às vezes abdicava da condição de voyeur e contemplava a sua atenção e tempo ao papel, daquela distancia ela não sabia se ele estava desenhando ou se escrevia, durante semanas ele repetira o mesmo ritual, ela o observava enquanto ele observava as outras pessoas. Sofia já não agüentava mais de curiosidade e decidiu que iria descobrir o nome do menino, o conteúdo do caderno, e se tinha amigos, até então ela não tinha feito nenhuma amizade, tinha passado todos os recreios ocupada demais observando o menino.
Continua...
Bom, essa estória começa numa tarde de sábado. Nosso protagonista, não é e nem nunca foi um “bom moço”. Pelo contrario, gosta de se aventurar, arriscar as coisas, tem convicção de que o errado seria parar e ver que se arrepende de não ter feito ou tentado, essa é a sua atual visão, mas nem sempre foi assim, houve um tempo em sua vida que esteve apático, talvez por isso hoje arrisque tudo sem medos vãos.
Ele estava em casa, era aproximadamente 14h45min, quando num impulso aparentemente mecânico, ele levanta de sua cama, corre para a janela da frente de seu quarto, e a abre. Antes de terminar o gesto de abrir, percebeu na rua algo de familiar entre as pessoas que passavam. Não demorou em perceber que se tratava da nossa segunda personagem. Seu nome? Sofia. Estava estático, anestesiado, seus olhos a seguiam por todo o percurso da rua, isso por que ela não é tão longa, tem aproximadamente trinta metros. Sofia procurou a janela do nosso personagem no metro vinte e nove, olhou para traz e antes de fazer a curva sorriu, mas com o cenho triste.
Ulisses não entendeu o porquê do ar triste, será que tinha feito algo errado? Ele apenas a observava nada demais, não encontrava respostas para as dezenas de coisas que se perguntou durante alguns segundos. Então sentiu um toque quente em seu ombro esquerdo, eram os lábios da nossa terceira personagem. Ele não se lembrava de ter alguém em seu quarto, nem da noite anterior. Horas depois talvez conseguisse resgatar alguns flash’s na memória – Volta pra cama – disse ela e continuando – É sábado e esta frio, vem!.
A resposta de sua pergunta ou para o cenho triste de Sofia, veio em forma de um beijo, mas a personagem três não se chama Judas, nem traiu ninguém, nessa estória não existiram traições, talvez haja desentendimentos, mas não traições, pelo menos até este momento.
II
Todo sábado pela manha Sofia se arrumava com as melhores roupas que tinha e ia passear no centro da cidade vizinha, o centro lhe trazia boas lembranças. Ela adquiriu esse costume com Ulisses, que adorava passear e observar a forma estranha de andar das pessoas, os calçados e a forma que estavam gastos, as formas que tomavam devido ao jeito que pisavam. Também observava os que não tinha calçados. Esses por que geralmente tinha uma relação um pouco diferente com o solo e com as outras pessoas, não por estar descalços, mas por não estar de acordo com o que estava estabelecido como “correto” entre os que andavam calçados, mas os descalços não ligavam e andavam tranquilamente por ali, livres da opressão dos sapatos apertados. Ulisses ao observar aquilo sentia vontade de lançar as sandálias ao espaço e sentir os pés nus, virgens a serem molestados pelo chão.
Sofia sempre o reprimira por isso, vinha de uma família de origem tradicional, estudou em colégio interno durante toda a infância, ausentando-se de aventuras, e de pequenas liberdades como a de andar descalça – Imagine se você pega um resfriado ou algum verme. O chão tem impurezas e as doenças entram pelos pés – dizia a Madre do internato. Sempre levava tudo muito a serio, devido às represálias e possíveis punições para as ações indevidas.
Aos 13 anos Sofia dava adeus para o internato e ia estudar em uma escola com meninos e meninas, estava feliz, imaginava que seria uma experiência maravilhosa. Nas primeiras semanas percebeu que apenas ela a alguns poucos alunos usavam os uniformes, também reparava a tinta no cabelo das outras meninas de sua idade e um garoto que ficava todos os dias no mesmo lugar observando os outros alunos andando pelos corredores, jogando bola ou até mesmo comendo. Seria ele um fiscal – se questionava – Não, ele é novo demais.
O garoto passava grande parte do intervalo no lugar de sempre. Sofia percebeu que ele tinha um caderno e que às vezes abdicava da condição de voyeur e contemplava a sua atenção e tempo ao papel, daquela distancia ela não sabia se ele estava desenhando ou se escrevia, durante semanas ele repetira o mesmo ritual, ela o observava enquanto ele observava as outras pessoas. Sofia já não agüentava mais de curiosidade e decidiu que iria descobrir o nome do menino, o conteúdo do caderno, e se tinha amigos, até então ela não tinha feito nenhuma amizade, tinha passado todos os recreios ocupada demais observando o menino.
Continua...
segunda-feira, 1 de fevereiro de 2010
Intempestivo
Agora que estão livres
Tropeçam em erros certos
Aceitaram viver a sós
Aprendem a viver juntos
Notam-se
Deixar de lado o desejo
Deixar de lado o sabor do beijo
Furtar carícias...
Afagos e abraços
Uma nova forma de jogar...
Pequenos desejos
Não adormecidos
Cada vez mais intenso,
Desde o olhar de contentamento
Ao finalmente
Tão anuncia beijo
Não os de pazes
Sempre estiveram em paz
Fins intempestivos
Às vezes acontecem...
Tropeçam em erros certos
Aceitaram viver a sós
Aprendem a viver juntos
Notam-se
Deixar de lado o desejo
Deixar de lado o sabor do beijo
Furtar carícias...
Afagos e abraços
Uma nova forma de jogar...
Pequenos desejos
Não adormecidos
Cada vez mais intenso,
Desde o olhar de contentamento
Ao finalmente
Tão anuncia beijo
Não os de pazes
Sempre estiveram em paz
Fins intempestivos
Às vezes acontecem...
segunda-feira, 4 de janeiro de 2010
Movimentos Furtivos
Um dia,
Olharam-se.
Ele sorriu
Ela fez que não
Mas tinha visto...
No outro dia
Ele passou
Ela estava no portão
Ele sorriu sacana
Ela mordeu os lábios...
Ela assumiu o comando!
Dia seguinte ele atrasa
Ela se vira para entrar
Ele estava a observando
Do lado de dentro
Na calçada da varanda...
Tinha entrado pelos fundos
Ela assustada gritou
Ele sorriu: - buu!
Estava a observando
Admirando a ansiosa espera
Pelo namorado das cinco e meia
Conversaram a noite inteira
Outro dia,
Não estava no portão
No horário de sempre
As rosas que trazia murcharam
Ele partiu...
Ela o esperava na esquina,
Queria ver sua cara de decepção
Realmente um casal incomum.
Sempre que distantes
Furtavam-se
Entre sorrisos
E mordidas de lábios.
O mesmo ritual.
E nunca se beijaram.
Olharam-se.
Ele sorriu
Ela fez que não
Mas tinha visto...
No outro dia
Ele passou
Ela estava no portão
Ele sorriu sacana
Ela mordeu os lábios...
Ela assumiu o comando!
Dia seguinte ele atrasa
Ela se vira para entrar
Ele estava a observando
Do lado de dentro
Na calçada da varanda...
Tinha entrado pelos fundos
Ela assustada gritou
Ele sorriu: - buu!
Estava a observando
Admirando a ansiosa espera
Pelo namorado das cinco e meia
Conversaram a noite inteira
Outro dia,
Não estava no portão
No horário de sempre
As rosas que trazia murcharam
Ele partiu...
Ela o esperava na esquina,
Queria ver sua cara de decepção
Realmente um casal incomum.
Sempre que distantes
Furtavam-se
Entre sorrisos
E mordidas de lábios.
O mesmo ritual.
E nunca se beijaram.
quarta-feira, 23 de dezembro de 2009
Maria's
Eles são castanhos
Sim, são castanhos...
A primeira identificação
Foi magica.
Envolvidos por sorrisos sacanas
Tudo denunciado de forma sutil
Brotou um beijo.
Foi o inicio?
Não creio!
Eles já tinham sido identificados
Muito antes dos beijos
já existiam conspirações
Sem cumplicidade...
O que me roubou
Foi o sorriso.
A forma anunciada da mulher
Que presa por seus “dengos”
Jeito doce de menina
Porem forte, decidida...
Embora não desse conta
Seu espirito corre
Em um vasto campo verde,
Recém banhado pelas nuvens
Que saúdam seus pés
Com as melhores e mais perfeitas
Gotas já produzidas...
Com vestido em tom pastel
Repleto de flores azuis vibrantes...
Corre descalça...
É o livre estar de um ser.
Vi seu paraíso por poucos segundos
Quero ver outra vez teus olhos.
Sim, são castanhos...
A primeira identificação
Foi magica.
Envolvidos por sorrisos sacanas
Tudo denunciado de forma sutil
Brotou um beijo.
Foi o inicio?
Não creio!
Eles já tinham sido identificados
Muito antes dos beijos
já existiam conspirações
Sem cumplicidade...
O que me roubou
Foi o sorriso.
A forma anunciada da mulher
Que presa por seus “dengos”
Jeito doce de menina
Porem forte, decidida...
Embora não desse conta
Seu espirito corre
Em um vasto campo verde,
Recém banhado pelas nuvens
Que saúdam seus pés
Com as melhores e mais perfeitas
Gotas já produzidas...
Com vestido em tom pastel
Repleto de flores azuis vibrantes...
Corre descalça...
É o livre estar de um ser.
Vi seu paraíso por poucos segundos
Quero ver outra vez teus olhos.
quinta-feira, 10 de dezembro de 2009
Hoje:
Não quero sangrar o peito
E fazer amor com você.
Sentimentos...
São apenas lagrimas de magoas,
É dor inevitável.
Hoje o amor...
Refogou-se em apatia
E tudo não passa de carinho.
E fazer amor com você.
Sentimentos...
São apenas lagrimas de magoas,
É dor inevitável.
Hoje o amor...
Refogou-se em apatia
E tudo não passa de carinho.